AFINAL, COMER MUITA FRUTA É REALMENTE BOM?

Por Alex Sandro Santos Silva Jesus

Desde pequenos que somos condicionados a ingerir quantidades generosas de frutas devido a sua grande oferta de vitaminas e minerais dentre outros benefícios.

De certo modo não está errada esta recomendação, todavia o que fica subentendido é que essas frutas devem ser ingeridas com certa moderação, principalmente quando o objetivo é emagrecer ou definir (cutting), pois são ricas em frutose, um açúcar simples.

Além disso, algumas apresentam alto índice e carga glicêmica. Algumas frutas, inclusive, podem ser letais sob certas condições patológicas, como é o caso da Carambola em relação aos portadores de doença renal, situação esta em que não entraremos nos méritos.

Contudo, antes mesmo de falarmos sobre as frutas propriamente ditas é necessário que lembremos o que são carboidratos e quais seus tipos.

CARBOIDRATOS

Carboidratos ou hidratos de carbono são moléculas compostas por carbono, hidrogênio e oxigênio.

Fazem parte do grupo dos macro nutrientes juntamente com proteínas e lipídios.

Didaticamente são divididos em monossacarídeos, oligossacarídeos e polissacarídeos.

Os monossacarídeos contem de 3 a 9 átomos de Carbono e os mais comuns são a glicose, frutose e galactose, todos com seis átomos de carbono.

Os oligossacarídeos são formados por ligações dois até dez monossacarídeos.

Sendo os principais: maltose, composta de duas moléculas de glicose; sacarose, formada por uma molécula de glicose e uma de frutose; e lactose, constituída por uma molécula de glicose e uma de galactose.

Os polissacarídeos são carboidratos de elevada massa molecular formados por mais de dez unidades de monossacarídeos.

O amido é o principal polissacarídeo da dieta.

Os carboidratos são divididos ainda em dois grandes grupos: os carboidratos simples representados pelos monossacarídeos e oligossacarídeos e os complexos compostos pelos polissacarídeos.

Essa divisão nos ajuda a entender a classificação do índice e carga glicêmica dos alimentos ricos em carboidratos, medindo a curva de elevação e declínio da glicose sanguínea pós-prandial (após refeição) em comparação à glicose livre ou o pão branco.

Esta elevação está intimamente ligada ao processo de ganho de massa gorda, pois, no caso dos carboidratos simples, eles elevam a glicemia rapidamente após a ingestão e então decaem rapidamente, desencadeando picos de insulina.

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POR QUE ESTES PICOS DE INSULINA SÃO RUINS?

Quanto mais rápido e maior a quantidade de glicose no sangue mais insulina será liberada pelo pâncreas com o intuito de carrear a glicose para o interior da célula para gerar energia.

Porém se você não está gastando energia, então a glicose segue para depósito no fígado sob a forma de glicogênio, mas você já está com suas reservas de glicogênio preenchidas então o organismo armazena esse excedente de glicose sob a forma de gordura corporal levando ao ganho ponderal.

Então, já que a frutose, o açúcar das frutas, é um carboidrato simples ela promove elevação demasiada da insulina levando ao acumulo de gordura corporal?

A resposta é não, pois a frutose, apesar de ser um açúcar simples, não é insulinodependente, ou seja, não é carreada para dentro da célula pela insulina como ocorre com a glicose.

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ENTÃO POSSO COMER BASTANTE FRUTAS QUE NÃO ENGORDAREI?

A resposta novamente é não, pois apesar da frutose não estimular a produção de insulina, quando consumida em excesso leva a produção de elevadas quantidades de Acetil-CoA que é altamente lipogênica (promove a síntese de lipídios) o que leva ao acumulo de gordura corporal.

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CONCLUSÃO

Apesar de seguir via metabólica diferenciada da glicose a frutose não é menos culpada quando o assunto é ganho de peso.

Portanto o excesso de frutas, principalmente as de alto índice glicêmicos pode não ser a melhor opção para os gordinhos que almejam o peso ideal ou os praticantes de atividades físicas que desejam o shape.

Todavia, vale ressaltar que as frutas são uma grande fonte de substratos importantes para o organismo.

Então, como tudo na vida: usemos, mas não abusemos.

REFERÊNCIAS

MOTTA, Valter T. Bioquímica Clínica para o Laboratório: Princípios e Interpretações. 4ªed. Porto Alegre: Editora Médica Missau; São Paulo: Robe editorial, EDUCS – Caxias do Sul, 2003. CHAMPE, P.C., et al. Bioquímica Ilustrada. Champe e Harvey (Eds.). 3. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2006.

STRYER, L. Bioquímica. 5 ed. Rio de Janeiro : Guanabara-Koogan, 1995.

CRÉDITOS

Artigo escrito pelo nosso colunista Alex Sandro Santos Silva Jesus, Enfermeiro Pós-graduado em Terapia Intensiva.

 

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