Diabéticos podem tomar maltodextrina?

Por Alex Sandro Santos Silva Jesus

Diabéticos e maltodextrina – Nas últimas décadas o mundo tem vivenciado uma grande mudança comportamental relacionada à questão da busca pela saúde.

O aumento da expectativa de vida, elevação do poder aquisitivo, melhores condições de vida, investimentos do setor público em campanhas educativas e um incontestável processo de globalização unificou culturas e conhecimentos acerca da saúde, que vão desde as milenares práticas orientais de cura até típicas dietas saudáveis como a mediterrânea.

Neste contexto muitos indivíduos diabéticos são orientados por profissionais de saúde sobre o impacto positivo da atividade física na história natural desta patologia.

Muitos fazem opção não somente pelas atividades aeróbicas, principal recomendação, mas também sabiamente pelo fisiculturismo mesmo não sendo de forma profissional.

Todavia a prática desta atividade de maior impacto e repercussão no corpo do indivíduo requer, em algum momento, uma alimentação dimensionada e suplementação específica.

Exatamente neste ponto surgem muitas dúvidas acerca do que indivíduos com certas patologias podem ou não utilizar para obter o máximo de resultados sem correr riscos.

Muitos mitos e falsas recomendações povoam o imaginário popular.  Até pessoas esclarecidas são enganadas por essas pegadinhas que de tanto afirmadas acabam sendo aceitas como verdades, mesmo sem nenhuma fundamentação cientifica.

Pois bem, traremos à tona os fatos sobre ingestão de dextrose e/ou maltodextrina por diabéticos.

O QUE É DEXTROSE E MALTODEXTRINA?

A dextrose é na verdade a tão conhecida glicose, só que apresentada em sua forma mais pura:  a D-glicose.  É um monossacarídeo, ou seja, um carboidrato simples, portanto rapidamente absorvível e gerador de picos de insulina.  A maltodextrina é um polímero De glicose, ou seja, um conglomerado de moléculas de glicoses sendo, portanto um Carboidrato complexo, todavia é formado por ligações relativamente fracas facilitando Assim sua quebra em glicose fazendo com que sua absorção seja somente um pouco Mais lenta do que da dextrose.

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O QUE É DIABETES MELLITUS?

Diabetes Mellitus (DM) é o nome da doença do qual o diabético é portador. Trata-se de Um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que culminam na hiperglicemia (Elevação do açúcar sanguíneo).

Esta patologia pode resultar da destruição das células Beta pancreáticas, que são responsáveis por produzir insulina, implicando na ausência Total deste hormônio, caracterizando assim o Diabetes tipo 1.

Pode, ainda, resultar da Resistência a ação da insulina alterando compensatoriamente a atividade beta Pancreática, caracterizando assim o Diabetes tipo 2.

Como podemos ver a ingestão de dextrose e/ou maltodextrina está condicionada a uma Elevação da insulina para que haja, no pós-treino, uma reposição das reservas de Glicogênio muscular e otimização da entrada de aminoácidos (subunidades das Proteínas) na célula.

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ENTÃO O DIABÉTICO NÃO PODE INGERIR DEXTROSE/MALTODEXTRINA DEVIDO A RESISTÊNCIA OU FALTA DE INSULINA?

Esta resposta, na verdade, envolve uma série de variantes. O portador de diabetes tipo 1, Que mantem a administração de insulina exógena rigorosamente sobre controle e sob Orientação profissional, poderá sim usar estes carboidratos, no pós treino, sem prejuízo Para sua saúde, pois o organismo está ávido por glicose para reposição de reservas de Glicogênio e a insulina mediará esta ação e os tecidos serão normalmente responsivos.

No portador de Diabetes tipo 2 o problema não está na quantidade de insulina, que Geralmente está até acima do normal como forma de compensar, e sim na resistência Dos receptores dos tecidos-alvos:  o fígado, tecido adiposo e tecido muscular.

Desta Forma o uso destes carboidratos poderia culminar em hiperglicemia, pois no fígado a Resistência impediria que a glicose fosse convertida em glicogênio para ser armazenada Assim como não permitiria que processos catabólicos geradores de glicose como a glicogenólise e gliconeogenese fossem interrompidos.

Alguns diabéticos tipo 2 possuem Um quadro relativamente estável em que os níveis de insulina são suficientes para Compensar a resistência dos tecidos alvos podendo nunca chegar a desenvolver o Diabetes franco.

Estes diabéticos podem fazer uso de carboidratos suplementar no pós Treino, pois apresentarão responsividade.

MALTODEXTRINA, DEXTROSE OU WAXY MAIZE? QUAL O MELHOR?

CONCLUSÃO

O uso de dextrose/maltodextrina por diabéticos deve,  antes de tudo,  ser acompanhado  e Recomendado por profissional habilitado e nunca tomado inadvertidamente.

Os fatos Apresentados nos faz concluir que diabéticos tipo 2 em quadro franco não estão Totalmente isentos de possíveis complicações hiperglicêmicas ao fazer uso destes Carboidratos, ao passo que, em diabéticos tipo1 e do tipo 2 altamente compensados estes Suplementos podem ser usados sim.

No entanto, o que não, os isenta de Acompanhamento profissional.

REFERÊNCIAS

1 -Farmacologia.  Seção VII –  Drogas Endócrinas.  Capítulo 41 – Hormônios

Pancreáticos e Agentes Antidiabéticos.

2 – Golan, David E. Farmacologia: Princípios Fundamentais.

3 – Range e Dele. Farmacologia. 5ª edição. Ed. Elzevir, 2003.

4 – Marzão, Anita. Bioquímica Básica, 2ª Edição.Ed. Guanabara Koogan, 1999.

 

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One Comment

  1. m. ferreira 1 de maio de 2018 at 14:42

    Sou diabéticos tipo 1 e bem interessante essas informações. Procurar ver melhor com minha endócrino e/ou com um nutricionista.

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