Bebida Alcóolica atrapalha na malhação?

Por Alex Sandro Silva Jesus

Com a chegada das festas de fim de ano os eventos sociais se multiplicam e juntamente a isso acaba  vindo apetitosos pratos  gastronômicos  e tentadores e variados  “drinks”  alcóolicos.

Exatamente neste ponto, mais especificamente na bebida  alcóolica, muito comum em eventos sociais que surge  a pergunta: será que bebida alcóolica atrapalha meu treino?

Antes  de  procurarmos  as  respostas  vamos  entender  como  o  álcool  etílico  é metabolizado em nosso organismo.

METABOLISMO DO ÁLCOOL ETÍLICO

Aproximadamente  20% do etanol  (álcool  etílico)  ingerido  são  absorvidos  ainda no estomago e os 80% restantes sofrem absorção na porção intestinal.

Fatores como presença  de  alimentos,  taxa  de  esvaziamento  gástrico,  volume  e concentração  do  etanol  e  outras  variações  individuais  como  peso  e  sexo interferem diretamente na absorção.

Biologicamente falando, o álcool,  independente da forma que é ingerido, é  uma substancia toxica ao organismo e como tal deve ser eliminado imediatamente.

Assim, o  álcool  tem  prioridade  no  metabolismo,  alterando  outras  vias metabólicas,  incluindo  a  oxidação  lipídica,  o  que  favorece  o  estoque  de gorduras  no  organismo.

90%  do  etanol  é  metabolizados  pelo  fígado  e  o restante é eliminado inalterado pela urina, suor e hálito.

O  etanol  é  metabolizado  no  organismo  humano  por  três  diferentes  vias,  no entanto todas elas apresentam como resultado final o acetaldéido.

A  principal  via  de  metabolização  do  álcool  envolve  a  enzima  álcool desidrogenase  (ADH)*,  cuja  função  é  a  oxidação  do  etanol  em  acetaldeído.

Essa via utiliza o NAD (dinucleotídeo  de nicotinamida-adenina) como aceptor de  hidrogênio, que é  reduzido a NADH.

Essa  reação  esta  associada com um alto fornecimento energético proveniente do NADH na formação de 16 ATP/mol de etanol  via  fosforilação  oxidativa.

Esta via é curiosamente mais ativada em bebedores sociais.

Nos  bebedores  crônicos  a  segunda  via  é  a  que  assume  grande  relevância.

Esta via é a SMOE (Sistema Mitocondrial de Oxidação  do Etanol), presente no reticulo endoplasmático liso dos hepatocitos, que utiliza o citocromo P -450, aNADPH-citocromo  redutase  e  os  fosfolipidios,  tendo  como  aceptor  de hidrogenio o NADP.

Essa via, ao contrario da primeira, ocorre  à  custa de gasto de energia na forma  de ATP.

Ela  Utiliza o  oxigênio  e o NADPH (nicotinamida adenina  dinucleotideo  fosfato  na  sua  forma  reduzida),  não  gerando componentes formadores de energia  como no NADH da primeira via.

Portanto, é  uma  reação  que  consome  energia,  em  vez  de gera-la.

Por isso  bebedores crônicos  costumam  ser subnutridos  e  magros.

Além  disso,  esta via,  por usar oxigênio, gera radicais livres que são deletérios ao organismo como um todo.

Existe  uma  terceira  via  de  metabolizacao  do  etanol  que  possui  pequena participacao  no  processo,  sendo  responsavel  por  apenas  10%  do  alcool ingerido.

Ocorre  no  interior  dos  peroxissomas,  através  de  catalases,  e, semelhantemente ao SMOE, nao forma ATPs.

Todas  as  três  vias  tem  como  produto  final  o  acetaldeido,  que  será  então oxidado em acetato e agua pelo  aldeído  desidrogenase (ALDH).

Na fase final do  metabolismo,  o  acetato  é  convertido  em  coenzima  A  (coA),  com desdobramento  de  ATP  para  AMP  (adenosina  monofosfato).

O  AMP  poderá então  ser convertido novamente em ATP  ou em purinas e acido  úrico.

A coA, por  sua  vez,  entrara  no  Ciclo  de  Krebs,  transformando-se  em  dióxido  de carbono e água.

Assim, o  acetato, metabolito final da  degradação  do  álcool, e uma  ótima  forma  de  energia,  porém  vazia,  que  inibi  a  oxidação  lipidica  ecausando,  entre  outras  coisas,  a  esteatose  hepática  e  obesidade.

Eventualmente  a  coA  deixa  de  ser  processada  no  ciclo  de  Krebs  devido  a inibição  das  enzimas  isocitrato  desidrogenase  e  alfacetaglutarato desidrogenase  pelo  excesso  de  NADH.

Este  excedente  de  coA  eleva  a produção de corpos cetônicos elevando a presença de lactato no sangue o que torna  ineficiente  o  processamento  do  acetato  pelo  fígado  formando  então aldeído  acético  que  é  um  composto  altamente  reativo  que  forma  ligações covalentes  com  grupamentos  funcionais  das  proteínas  levando  a  inibição  da função proteica.

CONCLUSÃO

Se  considerarmos que  para cada grama de etanol metabolizado,  são formadas 7,1 kcal/g, uma fonte energética considerável, comparando-se aos carboidratos (4 kcal/g), proteínas (4 kcal/g) e lipídios (9 kcal/g), mas que não possui nenhum valor nutricional para o organismo e o fato do etanol, em sua via principal, gerar enormes quantidades de NADH  e esta    inibir  as  vias  metabólicas  dos  ácidosgraxos  exatamente  por  já  fornecer  em  excesso  o  que  os  ácidos  graxos forneceria: energia na forma de ATP então podemos conclui que o etanol leva a  acúmulo  de  ácidos  graxos,  consequente  sobrepeso  e  obesidade.

Obviamente um objetivo contrário àquele almejado por quem malha.

O etanol ainda pode gerar excesso de coA que culminará em um composto que inibi  a  função  proteica,  função  esta  fundamental  no  processo  de  hipertrofia, certamente não sendo então  o objetivo de quem preza por cada fibra muscular que é tão desejada no corpo.

Como  se  não  bastasse  tudo  isso  o  etanol  ainda  promove  deficiência  e interferência  em  alguns  elementos  essenciais  para  o  organismo  como  as vitaminas  do  complexo  B,  A,  C  e

E  assim  como  em  alguns  oligoelementos como zinco, magnésio e  selênio.

Todos  estes elementos são essenciais para manutenção de um bom estado físico e desenvolvimento muscular.

Independente  de  um  simples  drink  em  uma  noite  de  festa  ou  bebidas  com frequência em determinados fins de semana o álcool promoverá, num maior ou menor grau,  sempre alterações  no organismo.

Qualquer caloria a mais ou fibra muscular a menos interfere no progresso de sua forma física.

Não é  intenção fazer  terrorismo  e  dizer  que  o  álcool  jogará  por  terra  todo  trabalho  de  seu treino, mas deixar claro  para  aqueles que pensam que uma bebidinha aqui ou outra ali não interfere na malhação que isso é ilusão e até uma forma arriscada de pensar, além de ser um comportamento  incompatível  para quem adota uma filosofia de vida saldável.

*Não confundir  a sigla ADH  (alcool desidrogenase)usada no texto  com a sigla ADH (hormônio antidiurético).

REFERÊNCIAS

Bioquímica, 5ª Edição. Lubert Stryer.

Tratado de Fisisologia Médica, 11ª edição. Guyton e Hall.

Bases Patológicas das Doenças – 7ª Edição, Robbins & Cotran.

Kachani, A.T. et al. / Rev. Psiq. Clín 35, supl 1; 21-24, 2008

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CRÉDITOS

Autor: Alex Sandro Santos Silva Jesus

Idade: 37 anos

Profissão: Enfermeiro

Experiência: Pós-graduado em Terapia Intensiva

One Comment

  1. Anônimo 17 de julho de 2018 at 14:39

    muito fraco

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